domingo, 8 de maio de 2011

Mãe


A verdade é que passei 5 anos de faculdade achando que a coisa mais importante do mundo era a Ufrgs, era a História, ler aqueles textos (alguns bons, mas outros muito chatos e inúteis), me formar e....que eu ia fazer depois disso? Trabalhar?

Mas nesse tempo todo, tinha alguém que tava lá atrás, nos bastidores. Que proporcionava o dinheiro pros meus textos, pras minhas passagens até Porto Alegre, pro meu lanche, porque nem sempre meu estômago suportava a comida do ru. Enquanto isso, essa pessoa deixava de comprar suas roupas, seus sapatos, abdicava do seu prazer, do seu lazer, da sua vaidade. Porque raios o xerox pra aula insuportável do Marshall era mais importante que as coisas que minha mãe queria comprar? A verdade é que não era. Nunca foi. Mas ela nunca me perguntou nada. Perguntava de quanto eu precisava e me dava. Assim. Fácil não era, mas ela fazia parecer que fosse. E eu acreditei, nesse tempo todo, que o único esforço daquela época era o meu. O meu estudo, o meu cansaço, o ônibus, o trem, e outro ônibus que eu pegava. Nunca pensei nas oito horas que ela passava em pé, na frente de um balcão, atendendo gente chata naquele bairro metido.


E por isso, mas por muito mais coisas, que a minha mãe, antes de ser mãe, é um ser humano admirável. Pelo caráter. Por tudo que fez, faz e as vezes nem vejo.

A gente cresce e entende. Enfim, entende.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

só o início


Pois então. Como era de conhecimento de alguns poucos, eu resolvi criar isso aqui. Ainda não sei exatamente o que escrever, nem como escrever, mas se começo, além de querer dividir algumas coisas que eu penso e vejo por aí, é porque, afinal de contas, acho que tenho coisas interessantes pra contar.

Eu pensei em começar a escrever nessa sexta-feira, mas depois pensei: putz, justamente na sexta, e NESSA sexta? Explico. Não gosto de sextas, nem sábados e tenho particular horror aos domingos. Mas a sexta é o prelúdio de tudo isso, é quando minha ansiedade atinge níveis extremos e eu quase não consigo levantar, tomar café e arrumar a cama. Os baladeiros vão dizer o que? Como assim? Mas também tenho gostado muito pouco de festas, até porque tenho 24 anos e ando meio cansada de beber, cair e levantar. Final de semana é tédio, é calmaria exagerada, é o momento em que tu te sente na obrigação de estar te divertindo e estar feliz, porque existe um mundo lá fora que diz que é assim que deve ser.

Mas essa sexta-feira em especial tá um cu (palavrão, assim, de início? Foda-se. De novo. Melhor melhorar os modos na próxima). Não que a semana não tenho sido boa. Ela foi, e bastante até. Mas de ontem pra hoje aconteceram coisas e tiveram conversas que me deixaram tristes, meu irmão que nunca saía e era minha companhia de sextas resolveu agora que vai sair e eu não quero ficar vendo Globo Repórter, mas também não quero ir na Festa Anos 80 com as gurias. A verdade é que tenho um monte de coisas pra fazer, mas me falta ânimo pra fazer todas elas, e nem passar um pano úmido de água com vinagre (receita pra tirar chulé) nas minhas sapatilhas eu fui capaz de passar. Almocei meia pizza da sadia, o que é muito estranho, porque normalmente eu comeria ela inteira, e comi duas fileiras de uma barra de chocolate, o que já não é estranho, é preocupante.

Mas bom, isso foi só o início, e eu tenho que aprender a mexer em todas as configurações disso aqui. E pretendo contar as coisas legais que eu faço, as conversas boas, os livros inusitados que eu leio depois que me formei e parei de me preocupar com a arrogância dos historiadores. E tomara que continue, porque essa exposição toda também assusta.

Enquanto isso, a gata amarela me espreita.